Vamos começar os trabalhos do Desafio de Halloween já que chegamos a novembro. Escolhi começar por um livro que eu já li algumas vezes, então é bem fácil falar sobre.
Título original: Interview with the vampire
Autor: Anne Rice
Tradução: Clarice Lispector (sim, essa mesma aque estão pensando)
Ano: 1976
País: EUA
Editora: Rocco
Páginas: 340
Preço: R$ 25,00
Em uma época em que vampiros não brilhavam e que era possível escrever um romance sobre eles sem destruir a natureza da mitologia clássica do vampiro ( eles continuam cruéis, egoístas e sedentos por sangue), temos aqui um dos clássicos do mundo moderno, escrito pela Anne Rice ( Ana Arroz para os íntimos) e que daria sequência a outros livros envolvendo o universo dos personagens das crônicas vampirescas, essas que eu voltarei a falar sobre quando fizer resenha sobre os outros livros da série.
Em Entrevista, conhecemos Louis de Pointe du Lac, um vampiro emo nascido no século XVIII, que apesar deste tempo todo, ainda é muito confuso sobre sua natureza e principalmente sobre seu mestre o incrível, temível, herói, vilão, anjo e demônio Lestat. Ele narra desde sua transformação até os tempos atuais tudo o quê lhe aconteceu a um jovem jornalista. A mágica deste livro é como toda história é narrada de uma forma interessante, a leitura te prende de tal forma que o leitor nem vê a hora passar. Ao final do livro a única coisa que eu penso sempre é que ele poderia ser maior e ainda sim não pareceria. A pessoa durante a leitura conhece épocas, personagens, crises ideológicas, amores e desamores, e também sangue por que afinal é um livro sobre vampiros e eles não se importam muito em tirar o sangue alheio, quer dizer o Louis se importa mas isso não o impede de ter seus momentos de crueldade e violência.
O clima gótico, a descrição dos lugares e épocas, as várias culturas, superstições, preconceitos são muito bem abordados aqui, mas eu acredito que são outras questões que prendem nossa atenção, como o caso de Claudia, a criança vampira, essa que foi criada em um momento de desespero de Louis, em um dos vários rompantes de emoção do personagem, e por Lestat que a fez em um misto de demonstração de poder e amor por Louis, por mais que essa última não esteja clara para quem não leu os outros livros das crônicas. Por sinal, Lestat sempre parece caminhar em uma linha tênue do bem e do mal, da razão e da emoção, da sanidade e da loucura. Já Louis é aquele que se viu em uma situação de culpa e tristeza irreversível e nesse momento teve sua vida modificada para toda a eternidade. O grande problema ou virtude do personagem é justamente não querer, não aceitar perder a humanidade, mesmo que tenha perdido ela fisicamente. Lestat e Louis são personagens que não se compreendem mas se completam como yin yang.
Além deles e de Claudia, ainda temos Armand, um vampiro bastante enigmático e sedutor, que deixa Louis e a todos os leitores intrigados mas ao mesmo tempo arrebatados, mas ao mesmo tempo, diferente de Lestat, que não esconde sua natureza sádica, Armand é o famoso lobo em pele de cordeiro.
Filme
Título original: Interview with the vampire
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Anne Rice
Elenco: Brad Pitt, Tom Cruise, Christian Slater, Antonio Banderas, Kirsten Dunst
País: EUA
Ano: 1994
Duração: 123 minutos
O filme de 1994, dirigido pelo incrível Neil Jordan e com um elenco quase perfeito (nunca irei engolir o Banderas como Armand, o vampiro que segundo a descrição dos livros, tem uma aparência que se assemelha a um anjo de Botticelli).
De qualquer forma o filme é muito bom, fico imaginando se hoje em dia seria melhor e menos medroso em relação a certas questões, mas mesmo assim é um filme que considero acima da média, principalmente por que a dupla protagonista foi perfeitamente representada por Brad Pitt e Tom Cruise, ambos entenderam tão magistralmente e essência dos seus personagens que imagino que vai ser difícil alguém conseguir repetir a dose, que diga fazer algo melhor. Na época eles eram os galãs mor do cinema e isso gerou certas torcidas de nariz, mas hoje já sabemos que eles são excelentes atores (apesar do Cruise ter ficado doido da cientologia).






